Sou do tempo e já faz tempo de quando as moças se vestiam apropriadamente para esconder seus atributos fisiológicos. Ainda nem se cogitava sobre a existência das calças de jeans para as mulheres. Elas usavam vestidos, saias, tailleur (saia e casaquinho), combinação, anágua, meias de seda com um risco atrás que subiam pelas pernas e desapareciam por trás da saia ou do vestido e eram presas ou suspensas por ligas que ficavam ocultas. Tudo isso esteve a provocar e muito a imaginação masculina. ?Como seria aquele segredo que ficava acima dos joelhos?? Os homens viviam na esperança de ver alguma mulher ao cruzar de suas pernas e com essa ?distração? dela poder ver o que quase nunca se via (risos).
Seios e pernas femininas sempre foi o maior espetáculo para se ver, pois, sempre ficavam escondidos como se fossem foragidos da justiça (risos). Nesta época de tanto progresso, vestidos, saias, talher, combinação, anágua, e meias de seda, mais podem ser vistos em museu. A moda que mais tem perdurado é o uso das calças de jeans. Algumas até são rasgadas, furadas ou desfiadas de propósito. É a moda do relaxo que ?cai tão bem? para as mocinhas deslumbradas com as aparências de desleixo. Muito em uso também são os sensuais e provocantes shorts curtos e curtinhos revelando o que era velado antigamente: As pernas tão comuns de se ver hoje.
Sempre vou passear na avenida do meu bairro (sempre esqueço que o bairro não é meu) e lá me incluo no movimento das pessoas em seus ?vai e vens?. Pelas fisionomias que vejo noto que muitos se sentem importantes com as tão importantes necessidades de seus cotidianos que eles têm para resolver. Pelo menos eles têm algo a fazer e eu não. Então, com saudade fico procurando ver alguma moça bonita de vestido. Nenhuma vejo. Por isso e muito ?contra a vontade? sou obrigado a ficar olhando para as mocinhas de shorts. Outro dia me distrai nisso e com a imaginação proveniente disso, bruscamente me lembrei que ?não sou mais aquele garoto que amava os Beatles e os Rolling Stones?. Essa lembrança me fez perceber como é ridículo não ter o que fazer e se fazer de ocupado com essas ?coisas boas? de outras fases anteriores do viver. Ter muita idade é bom ?só para se saber? que o que é bom já não se está a merecer, a conseguir ou a lhe aparecer.
Altino Olympio